O espaço nasce da inquietação artística de seu idealizador, o músico, produtor musical e agitador cultural Irmão Carlos Psicofunk, e da necessidade concreta de levar programação cultural regular para essa região da cidade.
Inicialmente, o local funcionava como um bar administrado por Dona Neuza, anexo a sua residência, conhecido como Bar Piscina. A partir do momento em que Dona Neuza permite que seu “filho artista” reúna amigos para fazer música no espaço, surge, por volta de 1998, o evento Domingo de Cabeça pra Baixo. O que começou como um encontro informal entre amigos transforma-se, ao longo dos anos, em um dos eventos mais interessantes, tradicionais e populares da cena alternativa musical de Salvador, especialmente durante a década de 2000.
Durante mais de 10 anos, o Domingo de Cabeça pra Baixo ocorreu regularmente todo primeiro domingo do mês, consolidando o espaço como um ponto fixo de encontro da música independente da cidade. Esses foram os primeiros passos de uma trajetória que hoje soma mais de 27 anos de atuação contínua.
Com o tempo, Irmão Carlos consolida sua vocação para a música e cria, de forma integrada ao espaço, o Estúdio Caverna do Som, em meados de 2004, que passa a funcionar como ponto de encontro, criação e produção da nova cena musical soteropolitana. Desde então, o Espaço Dona Neuza reúne pessoas em torno da música, da criação artística, da formação, do acesso e da difusão musical.
Não há em Salvador outro espaço cultural com trajetória tão longa, contínua e dedicada prioritariamente à música independente, mantendo-se ativo por quase três décadas.
O Lugar
Mais do que um “espaço”, o Dona Neuza é um lugar. Na geografia, há uma distinção fundamental entre espaço e lugar. O espaço refere-se à dimensão concreta, física e geométrica. O lugar, por sua vez, existe quando há uma relação simbólica e afetiva entre as pessoas e esse espaço, mediada por experiências, emoções e pertencimento.
Por aqui passaram diversos nomes importantes da cena musical baiana, seja no palco, seja nos processos de criação e produção musical, reforçando o papel do espaço como um território de circulação e encontro.
O Espaço Cultural Dona Neuza é, há quase três décadas, o lugar da música. Um território simbólico de criação, formação, acesso e difusão musical, reconhecido por artistas, produtores e público como um ponto de referência da cena independente de Salvador.